domingo, 29 de janeiro de 2012

"Partícula de Deus" pode ser miragem, afirmam físicos


Talvez a descoberta iminente do bóson de Higgs, partícula responsável por dar massa a todas as outras, não passe de miragem - algo que parece ser ele, mas não é.

É o que sugere um estudo teórico feito por um trio de cientistas no Brasil. 

Eles oferecem uma explicação alternativa para as recentes observações no LHC (Large Hadron Collider), o maior acelerador de partículas do mundo.

Em dezembro, pesquisadores de dois dos experimentos instalados no acelerador, Atlas e CMS, anunciaram ter achado indícios da presença do fugidio Higgs em meio às colisões na instalação.

O LHC descobre novas partículas produzindo-as. Para isso, ele promove a colisão de prótons em alta velocidade. Quando ocorre o impacto, a energia acumulada nos prótons é convertida numa miríade de partículas, muitas delas com vida bem curta.

Seria o caso do famoso Higgs, conhecido como a "partícula de Deus" por sua importância na atribuição de massa a todas as outras. Pela teoria, ele dura uma fração de segundo antes de decair, transformando-se em outras partículas mais leves.

A identificação do bóson se faz pelo número de eventos de decaimento associados a ele. É uma questão de estatística. Por isso os cientistas ainda não confirmaram se o Higgs está mesmo lá.

Se o achado não se confirmar, será preciso buscar outro modelo para o Higgs. E é isso que Gustavo Burdman e Carlos Haluch, da USP, e Ricardo Matheus, da Unesp, acabam de apresentar.

Em artigo publicado no repositório de estudos de física Arxiv.org, eles sugerem um modelo diferente mas compatível com as observações feitas até agora no LHC.

Segundo o estudo, o que os cientistas estão vendo no acelerador seria uma partícula associada ao Higgs, mas não o próprio bóson.

Enquanto o Higgs tradicional se transforma em diversas partículas, como pares de fótons e de partículas Z e W, a partícula sugerida por Burdman e seus colegas decai em fótons, mas não em Z e W.

Por conta disso, será possível separar o Higgs verdadeiro de sua "miragem". Mas, por ora, até os autores do novo estudo admitem que o mais provável é a confirmação da opção tradicional.

"Um maior acúmulo de dados, ao longo de 2012, vai definir a situação. Se só o sinal de fótons se confirmar, então não se trata da partícula que a gente chama de Higgs. Nesse caso, nosso modelo poderia dar uma possível explicação", diz Burdman.

Para os experimentalistas do LHC, trabalhos como esse só significam mais emoção.

"São incontáveis os artigos que tratam de modelos com uma estrutura de Higgs mais complexa do que aquela do modelo-padrão. Haverá uma série de testes para verificar se suas características coincidem com as previstas ou não", diz Sergio Novaes, físico da Unesp envolvido com as observações no LHC.

"Teremos muita diversão pela frente".

FOLHA

Para Sidney Magal, Brasil assumiu que é brega


Sidney Magal, atualmente em cartaz no Rio como protagonista do musical "Xanadu", diz que o Brasil assumiu que é brega com o sucesso de artistas como Michel Teló e Calypso.

Ele conta que "claro que tenho ouvido" o hit "Ai Se Eu Te Pego", de Teló. "Quando vejo a letra da música, penso que eu não consegui fazer nada pior!".

E diz que seu repertório "também tem música ruim": "Se Te Agarro com Outro Te Mato". "É engraçada, mas é bem cafoninha. Mas agora, depois de banda Calypso e de um monte de coisa, eu digo: Gente, me perdoem, nunca fui cafona! Eu tava nos anos 70, não tava em 2012 [gargalhada]!".

FOLHA

Rita Lee é liberada após prestar depoimento em Aracaju


A cantora Rita Lee, 67, foi liberada após prestar depoimento e assinar um boletim de ocorrência numa delegacia de Aracaju (SE). Ela foi detida por policiais ao fim do último show de sua carreira, no Festival Verão Sergipe 2012.

O imbróglio começou no meio do show, quando a cantora afirmou ter visto membros de seu fã clube, que viaja atrás dela pelo Brasil para vê-la ao vivo, sendo agredidos por policiais.

Primeiro, declarou que não os queria em sua apresentação. Ainda calma, disse: "Vocês são legais, vão lá fumar um baseadinho".

Mas, quando os policiais vieram para a frente do palco, formando uma parede humana de frente para ela, a cantora se alterou. Lembrou já ter vivido o período da Ditadura e disse não ter medo deles. Chamou os PMs de "cavalo", "cachorro"e "filho da puta". Terminado o show, Rita foi levada pela polícia à delegacia.

O boletim de ocorrência foi tipificado como "desacato e apologia ao crime ou ao criminoso (art. 287 do Código Penal)". "A sensatez falou mais alto no momento, por isso a polícia não parou o show", disse o tenente-coronel Adolfo Menezes, responsável pelo policiamento do show.

A ex-senadora e hoje vereadora de Alagoas Heloisa Helena (PSOL), que assistiu ao show, já estava na delegacia antes mesmo de Rita chegar. Foi solidária à cantora e assinou o B.O. como testemunha a seu favor. No mesmo boletim, Rita disse que "todo o ocorrido se deu como uma reação emocional, provocada pela ação truculenta desnecessária".

O governador Marcelo Déda (PT), que também assistiu à apresentação, disse ter testemunhado "um espetáculo deprimente" por parte de Rita. "A polícia não tinha feito nenhum tipo de ação que justificasse [a atitude da cantora]", declarou.

Para o governador, a cantora tentou colocar o público, estimado em 20 mil pessoas pela organização, contra os policiais, o que poderia levar a uma "confusão generalizada", segundo ele.

No Twitter, Beto Lee, filho de Rita, protestou: "A policia de Aracaju levou minha velha para a delegacia. Bando de frouxo". A própria cantora tuitava enquanto era escoltada pelos policiais: "Tô indo p/ a delegacia...a polícia d Aju ñ gosta d mim mas Sergipe gosta, estou dentro do carro, eles estaaoentravv [sic]".

Pelo microblog, o cantor Lobão também se manifestou: "Mas era soh o que faltava...prender a Ritinha eh de última!".

FOLHA

Rede do Sul investe R$ 250 milhões para chegar ao Sudeste e Centro-Oeste


A rede Havan, loja de departamentos com sede em Brusque (SC), vai investir cerca de R$ 250 milhões na expansão para o Sudeste e Centro-Oeste até o fim deste ano.

Com 36 lojas em Santa Catarina e no Paraná, a Havan pretende abrir outras 14 até o fim de 2012, sete delas em São Paulo.

A entrada no Estado virá pelo interior. Neste sábado (28), a Havan inaugura uma loja de 5.000 m² em Presidente Prudente (558 km de SP).

Nesta sexta-feira (27), o diretor-presidente da Havan, Luciano Hang, esteve em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), que também deve receber uma loja do grupo. Na semana que vem, será a vez de Araçatuba (527 km de São Paulo) receber a visita do executivo.

A expansão da rede reflete os bons resultados da empresa. O grupo atua ainda em outras áreas, como PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), postos de gasolina, factoring e construção civil, disse Hang.

"Crescemos 50% em 2011 devido à abertura de novas lojas. Nos últimos anos, temos direcionado os recursos de toda a empresa para o comércio", disse Hang.

Segundo Celina Ramalho, pesquisadora da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o momento é propício para investimentos no setor. "Há crescimento de consumo em todas as classes, mas na classe C o consumo de roupas é mais representativo porque indica ascensão", disse. Este ramo representa de 30% a 40% dos negócios da Havan.

Filho de operários da indústria têxtil - e, ele mesmo, operário e vendedor em loja de tecidos por sete anos -, Hang espera atingir uma receita bruta de R$ 2 bilhões neste ano.

No ano passado, fechou o faturamento em R$ 1,5 bilhões ante R$ 1 bilhão de 2009.

Em São Paulo, a expansão também chegará a Limeira, Franca, São José do Rio Preto e Marília. A expectativa é gerar 10 mil empregos diretos no Estado de São Paulo.

No MT e no MS, há unidades previstas para Campo Grande e em Várzea Grande, na região da grande Cuiabá. As demais serão no Paraná e Santa Catarina.

ESTÁTUA DA LIBERDADE

A rede vende tudo: roupas, cama, mesa, banho, eletrodomésticos, artigos de decoração, ferramentas e materiais escolares.

Para Hang, a proposta da rede é justamente oferecer de tudo em um só lugar.

As megalojas chegam a até 20 mil m² e se assemelham às grandes redes de departamento americanas.

Chamam a atenção pelo tamanho e arquitetura, com toque kitsch: todas têm traços que lembram a Casa Branca e, em 14 das 36 unidades, há réplicas de estátuas da Liberdade em frente às lojas.

DO FIO À ROUPA

Com sede no polo têxtil de Brusque, a empresa também fabrica roupas. Cerca de 30% a 40% do faturamento vem desta área - destes, 90% são de produtos próprios.

"Como somos [de família] do ramo têxtil, eu compro o algodão, faço o fio, a malha, temos facções. Chegamos a comprar o algodão para fazer a toalha", falou Hang.

A primeira loja da Havan foi inaugurada em Brusque, em 1986. A identidade norte-americana chegou em 1994, com uma nova loja de 7.000 m², na mesma cidade.

FOLHA

Polícia na cracolândia é aprovada por 82% em São Paulo


A operação da Polícia Militar para combater o tráfico e o consumo de drogas na cracolândia, no centro de São Paulo, tem o apoio de 82% dos moradores da cidade, mostra a pesquisa Datafolha na reportagem de Vaguinaldo Marinheiro na Folha deste domingo.

São 72% os que dão no mínimo nota 6 para a intervenção, iniciada no dia 3, semanas depois do Governo Federal (PT) lançar seu plano nacional anticrack.

Conduzida pelos governos municipal (PSD) e estadual (PSDB), a ação está no centro do debate entre pré-candidatos a prefeito de São Paulo.

Há críticas de que tanto a PM colocada nas ruas de forma apressada quanto o plano federal têm motivação eleitoral. PT e PSDB, em especial, gostariam de usar a ação na campanha deste ano.

Apesar da disputa, a PM na cracolândia tem apoio tanto dos que preferem o PT (83%) quanto dos simpatizantes do PSDB (90%).

Para estudiosos, o resultado reflete a demanda por uma polícia mais forte e atuante, mas é preciso atenção contra abusos.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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