sábado, 12 de novembro de 2011

Hillary diz que este será o "século da América no Pacífico"

Diante do desafio crescente e multifacetado apresentado pela China, a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, declarou na quinta-feira que o século 21 será o "século da América no Pacífico" e afirmou que os problemas da região necessitarão da liderança dos EUA.

Em discurso realizado antes de uma cúpula dos países da Ásia-Pacífico, Hillary destacou que o governo do presidente Barack Obama buscaria melhorar suas relações com a China, mas procurou dissuadir o país e outros da região de pensar que os EUA estariam cedendo seu papel tradicional no âmbito do Pacífico.

"Há desafios sendo enfrentados pela Ásia-Pacífico neste momento que pedem a liderança dos Estados Unidos, desde garantir a liberdade de navegação no Mar do Sul da China até contrapor as provocações e as atividades de proliferação da Coreia do Norte para promover o crescimento econômico equilibrado e inclusivo", afirmou.

Os comentários de Hillary, em discurso no Centro Oriente-Ocidente, foram parte de uma campanha do presidente Obama de direcionar a política externa norte-americana para focar mais intensamente na Ásia, depois de uma década de guerras no Iraque e no Afeganistão.

"Está se tornando cada vez mais claro que, no século 21, o centro gravitacional estratégico e econômico será na Ásia-Pacífico, do subcontinente indiano à costa oeste das Américas", disse.

Uma das tarefas mais importantes da política americana na próxima década será garantir um investimento substancialmente maior -  diplomático, econômico, estratégico, e outros - nessa região, disse Hillary a estudantes e acadêmicos no Centro Oriente-Ocidente, um instituto de pesquisa de Honolulu, capital do Estado norte-americano do Havaí.

Apesar de dizer que a China e os EUA precisavam cooperar para estimular o crescimento econômico, Hillary criticou as políticas de direitos humanos de Pequim, o que certamente irritou os líderes chineses.

Hillary disse que seu país tinha como objetivo criar na região da Ásia-Pacífico neste século uma rede semelhante à rede transatlântica com instituições e relacionamentos que os Estados Unidos e seus aliados na Europa construíram no século 20.

REUTERS/FOLHA

Obama elogia suspensão da Síria na Liga Árabe

O presidente dos EUA, Barack Obama, elogiou neste sábado a decisão da Liga Árabe de suspender a Síria do bloco, pedir sanções econômicas e reduzir as relações diplomáticas dos membros com o regime de Bashar al Assad, acusado pelas Nações Unidas de ter deixado mais de 3.500 civis mortos durante a campanha de repressão aos protestos que pedem a renúncia do ditador.

"Depois que o regime de Assad fracassou flagrantemente a cumprir seus compromissos, a Liga Árabe demonstrou liderança em seu esforço para acabar com a crise e garantir que o governo sírio se responsabilize por seus atos", disse o americano em um comunicado difundido pela Casa Branca.

Obama indicou ainda acreditar que a decisão do bloco árabe deve ter um efeito incisivo quanto ao isolamento do regime.

"Estes passos significativos expõem o crescente isolamento diplomático de um regime que tem sistematicamente violado os direitos humanos e reprimido protestos pacíficos. Nós vamos continuar trabalhando com nossos amigos e aliados para pressionar o regime de Assad e apoiar o povo sírio em sua busca por dignidade e a sua merecida transição para a democracia", acrescentou.

SUSPENSÃO

A Liga Árabe anunciou neste sábado a decisão de suspender a Síria do organismo regional e pediu a retirada dos embaixadores árabes de Damasco, segundo o ministro das Relações Exteriores e primeiro-ministro do Qatar, Hamad ben Jassem al Thani, atual chefe da entidade.

A Liga Árabe também pediu sanções contra o regime de Damasco e convidou a oposição síria para falar de transição.

No total, 18 dos 22 membros da Liga votaram a favor de um convite para que todas as correntes da oposição "cheguem a um acordo em torno de um projeto único para a gestão da próxima transição na Síria", acrescentou Hamad ben Jassem Al Thani.

A Liga pediu "sanções econômicas e políticas contra o poder sírio" por sua negativa de aplicar o plano de saída da crise apresentado pela organização dos Estados árabes, anunciou um comunicado lido pelo primeiro-ministro.

Ele afirmou que a suspensão entra em vigor em 16 de novembro. "Fomos criticados por demorar muito, mas isto estava além de nossas preocupações com a Síria", disse ele a jornalistas no Cairo.

"Precisávamos ter uma maioria para aprovar estas decisões".

"Estamos convidando todos os partidos de oposição sírios para uma reunião na sede da Liga Árabe para chegar a um acordo para uma visão unificada para o período de transição", disse Jassim.


RESPOSTA

O representante da Síria na Liga Árabe disse hoje que a decisão de suspender o país violou o estatuto da organização e mostrou que ela está "servindo à agenda ocidental e americana".

Youssef Ahmed disse à TV estatal do país que a decisão de suspender a Síria, que teve dois votos contrários na reunião ministerial da Liga Árabe no Cairo, poderia ser tomada somente por consenso em uma cúpula dos líderes árabes.

PROTESTOS

Ontem, as forças de segurança sírias deram continuidade à repressão aos protestos no país. Ativistas afirmam que ao menos 20 morreram.

Segundo estimativas, foram 250 mortos nas duas últimas semanas, fazendo de novembro um dos meses mais violentos desde o início da insurgência contrária ao regime, há oito meses.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch acusa o governo sírio de possíveis crimes contra a humanidade. As Nações Unidas estimam que a repressão fez 3.500 mortos no país, entre civis e militares.

Damasco havia concordado em interromper a escalada da violência, em acordo mediado pela Liga Árabe na semana passada. A repressão, porém, não cessou.

FOLHA

Autoridades latino-americanas lamentam morte de ministro mexicano

O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, lamentou a morte do ministro do Interior do México, José Francisco Blake Mora, por seu "repentino e trágico" falecimento em um acidente de helicóptero.

Em uma carta dirigida ao presidente Felipe Calderón, Insulza afirmou que o alto funcionário "será lembrado por sua incansável vocação de serviço público e sua trajetória a serviço do país".

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também expressou seu pesar pela morte de Blake Mora em um acidente no qual outras nove pessoas perderam a vida.

Um comunicado destacou que o mandatário enviou suas condolências "aos familiares e [pessoas] achegadas às vítimas, assim como a todo o povo irmão mexicano por estas incomensuráveis perdas humanas".

O chefe de Estado da Colômbia, Juan Manuel Santos, também expressou seu pesar pela morte do braço direito de Calderón, recordando que ele foi o segundo ministro do Interior que faleceu por conta de um acidente aéreo durante a gestão de Calderón - o primeiro foi Juan Camilo Mouriño, em 2008.

ANSA/FOLHA

Saldo de mortes de tornado em Missouri é revisto para 161

O saldo de mortes do tornado de 22 de maio na cidade americana Joplin, no Estado de Missouri, foi revisado para baixo e soma 161 pessoas com a descoberta de que uma suposta vítima morreu de outras causas.

A cidade declarou em um comunicado que Kenneth J. Henson, morador de Ottawa County, no Oklahoma, não pereceu no tornado. Rob Chappel, médico legista do condado de Jasper, descobriu o erro enquanto ajudava outras autoridades a compilar uma lista de vítimas do fenômeno para um serviço fúnebre, informou a municipalidade.

"Graças a esta revisão, estamos confiantes de que a lista atual de 161 é exata", disse o órgão municipal, que não explicou o equívoco, enquanto Chappel não foi localizado para comentar neste sábado.

O tornado, um dos mais mortíferos da história dos Estados Unidos, destruiu 900 casas e outros edifícios. O saldo de mortes aumentou durante vários meses à medida que pessoas faleciam em decorrência dos ferimentos sofridos.

REUTERS/FOLHA

Casamento gay reabre debate antes de eleições na França

O prefeito de uma pequena cidade francesa desafiou a proibição nacional de casamentos do mesmo sexo e presidiu neste sábado a cerimônia matrimonial de dois homens, alimentando o debate do casamento gay antes das eleições presidenciais do país.

A medida causou uma grande reprovação de um ministro do governo do presidente Nicolas Sarkozy, que descreveu o ato como "provocação eleitoral".

Jean Vila, prefeito da cidade de Cabestany, vestiu sua faixa com as cores da bandeira francesa enquanto presidia o casamento de Patrick, de 48 anos, e Guillaume, de 37, e disse depois que aquilo era um "ato militante".

"Declarar ilegal o casamento de homossexuais é negar a realidade de que há milhares de casais homossexuais", afirmou o político depois da cerimônia na prefeitura da cidade, localizada a cerca de 40 quilômetros da fronteira com a Espanha.

Vila se negou a cadastrar o casamento no registro oficial, para evitar que ele seja anulado, como ocorreu com dois homens que se casaram em 2004.

Alguns países da Europa permitem o casamento do mesmo sexo, mas a França só permite a união civil, um status que dá menos direitos do que o casamento propriamente dito.

A autoridade constitucional da França manteve em janeiro a proibição do casamento gay no país, e, em junho, o Parlamento rejeitou um projeto de lei do Partido Socialista para tentar legalizá-lo.

REUTERS/FOLHA

Pai encontra filhas mortas em Mogi das Cruzes

Duas irmãs foram encontradas mortas dentro de casa, na noite da sexta-feira (11), em um bairro nobre de Mogi das Cruzes, São Paulo. Uma delas tinha 21 anos e seria estagiária do fórum da cidade. A outra tinha 16 anos. Elas foram encontradas pelo pai quando ele chegou em casa.

Segundo reportagem do "SPTV", da Rede Globo, as duas foram esfaqueadas na garganta, e peritos informaram que havia sinais de estupro em pelo menos uma delas.

Um pintor que trabalhava na casa teria dito que lutou com os três criminosos que invadiram a residência. Ele estava ferido.

Em depoimento à polícia, os pais das jovens teriam dito que elas vinham sendo ameaçadas de morte, por telefone. O caso foi registrado no 1º DP de Mogi das Cruzes.

FOLHA

Funcionária da Ong AfroReggae é enterrada no Rio de Janeiro

O corpo da funcionária da ONG AfroReggae Tânia Cristina Moreira, 44, foi sepultado às 13h deste sábado no cemitério Nossa Senhora das Graças, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Ela foi encontrada morta, ontem, em Campos Elíseos, também na Baixada Fluminense, depois de ter sido sequestrada dentro de casa, em Vigário Geral (zona norte do Rio), na última quinta-feira (10).

Os amigos e funcionários da ONG não sabem o motivo do crime e acreditam que não tenha relação com o trabalho no AfroReggae.

"Ela realizava o trabalho, não tinha inimigos, não tinha dívidas. Não sabemos e vamos esperar a sinalização da Polícia, que já está na investigação do caso", afirmou Duda Vasconcellos, do setor de eventos da entidade.

Conhecida como "Tia Tânia", ela trabalhava como mediadora de conflitos entre bandidos e moradores de comunidades. A vítima era casada, tinha três filhos, sendo um bebê de 1 ano.

O caso está sendo investigado pela 38ª DP, em Brás de Pina (zona norte do Rio), e pela Divisão Anti-Sequestro (DAS).

FOLHA

Filho do comandante da PM de São Paulo é preso sob suspeita de agressão

O filho do comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo, foi preso na madrugada deste sábado sob a suspeita de agredir uma garota de programa em um prostíbulo que fica na rua Jovita, em Santana, na zona norte de São Paulo.

Na tarde de hoje, o filho do oficial, cujo nome não foi divulgado pela polícia, está no 9º Distrito Policial (Carandiru), onde a delegada Marina Silva decide quais as providências legais serão tomadas contra o ele.

Durante a prisão, o filho de Batista chegou a dizer para os policiais que o prenderam que seu pai é o comandante-geral da PM.

Ao ser procurado pelos policiais que detiveram o acusado, o comandante-geral da PM disse que o filho, maior de idade, deverá responder por seus atos como um cidadão comum, conforme determina a lei.

Até agora, nenhum detalhe sobre a identidade do filho do comandante da PM foi revelado. A Secretaria da Segurança Pública informou "não ter informações sobre a ocorrência".

FOLHA

Bebê Max nasce às 11h11 de 11/11/11 na Austrália

Um bebê que nasceu às 11h11 desta sexta-feira, 11/11/11, na Austrália, está sendo o centro das atenções da imprensa local e mundial.

Poucas horas após vir ao mundo, Max Benjamin Richards, já apareceu em emissoras de TV, jornais e sites de notícia.

Max nasceu saudável no hospital de Hawkesbury, em Windsor, New South Wales, no noroeste de Sydney.

Segundo o hospital, o nascimento nesta hora foi uma "coincidência", já que o parto não era esperado senão para meia hora mais tarde.

"Não é possível agendar um nascimento, mesmo que se tratasse de uma cesariana, para um minuto específico do dia", disse à BBC Brasil uma porta-voz da instituição, que faz entre 70 a 80 partos por dia.

Após uma maratona de entrevistas para a imprensa, os pais de Max, Ben e Sarah Richards, se disseram felizes e estão descansando.

O mesmo obstetra que fez o parto de Max trouxe ao mundo também seus dois irmãos mais velhos, e, 30 anos atrás, seu pai, Ben.

A mídia australiana não deixou de lembrar que o menino nasceu no Dia do Armistício, o aniversário do armistício da 1ª Guerra Mundial que homenageia a memória dos soldados mortos no conflito.

Não apenas na Austrália, mas também em outros países que participaram do conflito, observa-se um minuto de silêncio às 11h do dia 11/11.

"O dia 11 de novembro é muito importante para a Austrália", disse o comunicado do hospital.

"Os bebês dos dias atuais nascem em um mundo que foi moldado pelos sacrifícios que nossos soldados fizeram por seu país".

BBC BRASIL/FOLHA

Preferido dos mercados, Mario Monti deve montar governo tecnocrata

Preferido dos mercados e apontado como mais provável sucessor de Silvio Berlusconi no cargo de primeiro-ministro da Itália, Mario Monti tem a vantagem, segundo analistas, de ter um bom trânsito entre os demais países europeus, graças a sua experiência à frente de dois comissariados da União Europeia (UE), entre 1995 e 2004.

Espera-se que Monti, nomeado senador vitalício na quarta-feira pelo presidente Giorgio Napolitano, indique um gabinete pequeno formado principalmente por especialistas tecnocratas para adotar medidas com o objetivo de tirar a Itália da crise.

No cargo de Comissário europeu responsável por combater os monopólios e zelar por uma concorrência comercial saudável na UE, entre 1999 e 2004, ele ganhou o apelido de "Super Mario", pela tenacidade que mostrou ao se opor aos poderosos bancos regionais alemães e por impedir a fusão entre os gigantes do setor de energia General Electric e Honeywell.

Antes disso, de 1995 a 1999, ele foi comissário europeu para mercado interno e serviços.

O fato de ele ter sido apontado para cargos na Comissão Europeia durante um dos governos de Berlusconi e confirmado novamente no cargo durante um governo de esquerda pode sugerir que Monti tem apoio em vários partidos. Mas Berlusconi se recusou a apoiar o nome de Monti para continuar na Comissão Europeia em 2004.

Atualmente com 68 anos, o ex-professor de economia da região da Lombardia foi apontado recentemente em Bruxelas para escrever um relatório a respeito do futuro mercado único europeu.

"Ele tem experiência e (...) é uma das personalidades italianas mais estimadas", disse Gianfranco Fini, presidente da Câmara do Parlamento italiano.

Monti parece ter as qualificações econômicas e as conexões necessárias nos países da zona do euro, mas sua nomeação sem uma eleição enfrentava resistências dentro da coalizão que sustentava Berlusconi.

BBC BRASIL/FOLHA

Por tablet, papa deve acender maior árvore de Natal do mundo

O papa Bento 16 acenderá à distância, no próximo dia 7 de dezembro, a maior árvore da Natal do mundo, localizada na cidade italiana de Gubbio, no centro do país.

Em seu apartamento pontifício, o líder religioso será conectado por teleconferência pelo Centro Televisivo Vaticano (CTV) com a população de Gubbio e acenderá as luzes da árvore por meio de um aplicativo especial instalado em um tablet.

Segundo a Prefeitura da Casa Pontifícia, o papa será conectado às 17h45 locais (14h45 no horário de Brasília), e lerá um discurso aos moradores de Gubbio antes de acender as luzes.

A árvore consta no Guiness Book (Livro dos Recordes) como a maior árvore de Natal do mundo.

A iluminação é composta por 260 pontos de luz e colorida em seu interior por 270 lâmpadas de grandes dimensões. São utilizados 8,5 mil metros de cabos e 1.350 tomadas e plugues pelos quais passam 35 quilowatts de corrente elétrica.

ANSA/FOLHA

Corretora americana falida demite todos os funcionários

A corretora americana MF Global - que pediu falência no mês passado-- demitiu todos os seus 1.066 funcionários ontem.

A informação foi dada pelo responsável pelo processo de falência, James W. Giddens.

A empresa foi considerada a primeira vítima nos Estados Unidos da crise da dívida na Europa.

A corretora tinha US$ 6 bilhões (R$ 10,5 bilhões) em títulos públicos europeus em sua carteira de investimentos.

Em 31 de outubro, a MF entrou com pedido judicial de falência.

Cerca de 150 a 200 ex-funcionários serão recontratados de forma temporária para participar da liquidação da empresa e dos processos judiciais.

A falência da empresa está sob investigações dos reguladores do mercado americano. Uma das denúncias é de que US$ 600 milhões pertencentes a clientes da corretora desapareceram.

FOLHA

Light diz que BNDES aprovou financiamento de R$ 915 milhões

A Light recebeu nesta sexta-feira a informação de que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou financiamento de cerca de R$ 915 milhões solicitado pela empresa.

"Hoje tivemos a confirmação definitiva de financiamento do BNDES. Uma primeira parcela deve ser liberada ainda em dezembro", disse o diretor de Finanças da companhia, João Batista Zolini, em teleconferência com analistas.

O empréstimo será destinado ao financiamento de projetos na área de distribuição do Plano de Investimentos 2011-2012.

REUTERS/FOLHA

M. Officer estuda levar fábrica à China

O empresário Carlos Miele, dono da holding que controla a grife M. Officer e da marca que leva seu nome, pretende expandir a participação internacional da empresa.


Para isso, busca alternativas para a produção na China.


"Para globalizar a marca, vou investir numa estrutura internacional própria ou fechar uma parceria com a indústria têxtil chinesa", disse ele ontem em evento sobre o mercado de luxo do IHT ("International Herald Tribune"), em São Paulo.

"Ainda estou estudando a melhor opção".

A empresa já tem lojas em Paris e Nova York e tem uma fábrica em Osasco, na região metropolitana de São Paulo.

A ideia é focar a linha que já é vendida no exterior, a Carlos Miele e sua linha casual, que tem como carro-chefe os jeans.

"Com todos os custos adicionais do Brasil, não dá para competir em escala global com os chineses", disse.

Segundo estimativas de mercado, o faturamento da holding é de R$ 400 milhões.

VALOR DA MARCA

Para as marcas voltadas para o mercado de luxo, é mais fácil construir uma imagem positiva.

"Essas empresas têm vantagens significativas em relação a outros setores: oferecem grandes benefícios emocionais, conversam mais intimamente com a mídia e ainda controlam o varejo", afirmou Fernando Rodés Vilà, vice-presidente da Havas e consultor reconhecido na área da propaganda.

A Havas, conglomerado multinacional de publicidade com faturamento de US$ 2,6 bilhões, divulgou ontem um estudo global que aponta que as empresas do mercado de luxo são consideradas significativas na vida de metade de seus consumidores.

Já a média das marcas dos demais setores consideradas significativos ficou em 29%.

FOLHA

Acuado, Berlusconi renuncia e abre caminho para conter crise na Itália

Cedendo às pressões que aumentaram seu isolamento nas últimas semanas, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, 75, apresentou neste sábado sua renúncia ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, dando fim a um período de 17 anos na liderança política do país e abrindo caminho para a contenção da crise econômica italiana.

Diante da crescente perda de popularidade e da ausência de apoio até mesmo de sua base governista, Berlusconi não teve outra alternativa senão anunciar, na terça-feira (8), que renunciaria ao cargo uma vez que a Lei de Estabilidade fosse aprovada pelo Congresso.

A lei contém as medidas exigidas para garantir a estabilidade financeira e reduzir a enorme dívida pública do país, que atualmente corresponde a 120% do PIB (€ 1,9 trilhão), através de uma economia de até € 59,8 bilhões até 2014.

Diante do anúncio, senadores e deputados decidiram agilizar a tramitação da medida durante a semana para garantir que o mandatário estivesse fora do comando do país antes de segunda-feira.

A diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, elogiou a aprovação da lei no Senado e disse que a indicação de um novo premiê é "um sinal de clareza e credibilidade da situação política" na Itália. Ainda na sexta-feira o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que "o país precisa de reformas, não eleições".

Os gritos de "fora", "mafioso", "palhaço", "ladrão" e xingamentos variados emitidos pela multidão reunida em frente à sede do Parlamento e do Palácio Quirinale, sede do governo onde Berlusconi selou sua renúncia, dão o tom com o qual ele encerra um ciclo de mais de 17 anos na liderança da cena política italiana. Um coral chegou a cantar "Aleluia", de Handel.

Pouco antes de dirigir-se ao Quirinale, o agora ex-premiê disse à imprensa sentir-se "profundamente doído" pelos protestos e ofensas.

SUCESSÃO


A opção que aparece com mais força para a era pós-Berlusconi é a formação de um governo técnico capaz de se entender com todas as forças políticas para tirar a Itália da difícil situação na qual se encontra.

Para liderar o governo, o nome mais forte é o do economista e ex-comissário europeu Mario Monti, 68, que conta com um grande apoio entre as forças parlamentares e foi nomeado senador vitalício pelo presidente.

Monti é formado pela renomada Universidade Bocconi e depois estudou em Yale, nos Estados Unidos. Chegou a lecionar na Universidade de Turim, tornou-se professor de economia política na Bocconi e foi nomeado para o cargo em Bruxelas por Berlusconi em 1994.

Serviu como chefe de competição da UE, supervisionando os inquéritos antitruste da Microsoft feita no início dos anos 2000, quando ganhou notoriedade e renome em Bruxelas.

Há dois anos foi encarregado da compilação de um relatório sobre o mercado único da EU, que pediu mais desregulamentação para estimular a competição e o crescimento econômico.


ALIADOS RETIRAM APOIO

Além das crescentes pressões das lideranças da zona do euro e da oposição, nesta terça-feira o premiê recebeu um pedido de renúncia de sua própria base governista.

"Pedimos que ele se afastasse", afirmou o chefe da Liga Norte, Humberto Bossi, aliado de Berlusconi na coalizão de centro-direita no poder.

No mesmo dia, o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Olli Rehn, disse após o fim de uma reunião de ministros de Finanças da UE que a situação na Itália é "muito preocupante".

REAÇÃO DOS MERCADOS

Com as dúvidas latentes sobre a possibilidade do governo de Berlusconi cumprir as metas de redução do deficit público, os mercados reagiram bem na sexta-feira à aprovação das medidas exigidas pela UE.

As Bolsas de Valores europeias e dos EUA subiram com a esperança de sucesso das novas medidas de austeridade e os títulos de dez anos da dívida italiana tiveram uma melhora, fechando rendimento em 6,45%.


Conhecido como Lei de Estabilidade, o projeto de lei coloca em prática as medidas de austeridade exigidas por Bruxelas para o Orçamento italiano de 2012, entre outras alterações que incluem a venda de ativos públicos, a reforma do sistema previdenciário, a privatização de empresas públicas e a simplificação da administração pública.

O plano também fixa medidas para estimular o emprego e o aumento do crescimento econômico, quase nulo nos últimos anos.

Entre estas estão o aumento do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), de 20% para 21%; o congelamento dos salários de servidores até 2014; a alta da idade mínima de aposentadoria para as trabalhadoras do setor privado, de 60 anos em 2014 para 65 em 2026; aperto nas medidas contra a evasão fiscal; e um imposto especial para o setor de energia.

Durante a semana, o rendimento dos títulos italianos chegou a alcançar 6,73%, um nível insustentável para a enorme dívida do país. Além disso, a nota de risco da Itália alcançou um novo pico histórico, com 495 pontos básicos, chegando a níveis inacessíveis para o financiamento da economia nacional com normalidade.

CORRUPÇÃO

Hábil para apresentar-se como "vítima", sempre investigado pela Justiça por denúncias de corrupção, Berlusconi foi construindo com paciência a imagem de um "presidente trabalhador", com a qual ganhou as eleições de 2001, apoiado pela mesma coalizão que, em 1994, levou-o ao poder e que rebatizou como "A Casa das Liberdades".

Apesar das críticas e controvérsias despertadas por seu mandato entre 2001 e 2006 e das divisões internas dentro da própria coalizão, que quase se desintegrou, Berlusconi tornou-se o 'líder máximo' da direita italiana.

Com um golpe estratégico, reunificou suas hostes sob uma só bandeira e um partido único, o "Povo das Liberdades", fruto da fusão entre a direita Aliança Nacional (AN) e sua própria chapa, "Forza Italia (FI)" - uma jogada surpreendente que permitiu a ele, em 2008, chegar novamente ao poder.

A ruptura ano passado com seu aliado Fini, atual presidente da Câmara de Deputados, ocorreu em um momento particularmente delicado, em meio a picantes revelações sobre suas proezas sexuais e desprestígio moral.

ESCÂNDALOS

Os excessos e abusos do magnata das comunicações no exercício do poder motivaram críticas e protestos nos meios de comunicação, entre os industriais e inclusive na igreja italiana.

Sua vida dissipada e a atração por mulheres jovens levaram, em 2009, a um pedido público de divórcio por parte de sua segunda esposa.


Julgado pelos tribunais de Milão (norte) por prostituição de menores e abuso, como no caso da jovem marroquina chamada Ruby - uma das protagonistas de suas célebres festas privadas ao ritmo do "bunga-bunga" - Berlusconi deve responder à Justiça também por suborno e fraude fiscal.

Sempre bronzeado e com vários "liftings" e implantes capilares, Berlusconi foi casado duas vezes, é pai de cinco filhos e foi avô várias vezes.

FOLHA

luishipolito@outlook.com

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